Olho Marinho

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Planalto das Cesaredas

O Planalto das Cesaredas, integra um extenso maciço calcário, um espaço geológico muito antigo, pertencente ao período que medeia entre o Cretácico e o Jurássico Médio, quando terminam as violentas convulsões da crosta terrestre, então dominada  por  um  clima  quente  e  húmido,  com  quedas  de  chuva  semelhantes  às  atuais.  Nessa  altura,  a  maioria  das montanhas sofre uma acentuada erosão resultante do clima húmido, que transforma algumas das montanhas, em colinas baixas, com extensos bancos calcários, quando se inicia a extinção dos dinossáurios, das amonites e outras espécies animais 
e vegetais.
A área global do Planalto, ronda hoje os 9.600 hectares, incluindo pela sua continuidade, o Monte do Picoto no concelho do Bombarral, com uma altitude média na ordem dos 145 metros. O Planalto, estende-se ao longo de doze quilómetros de comprimento com dez de largura, uma área que abrange parte dos concelhos de Óbidos (freguesia do Olho Marinho), Peniche (freguesia de Serra d'El-Rei), assim como uma parte bastante significativa dos concelhos de Bombarral e Lourinhã, os primeiros, pertencentes ao distrito de Leiria e o último, ao distrito de Lisboa.
O clima, presentemente, é ameno e o ritmo das estações suave. Um equilíbrio que resulta da proximidade marítima e da influência resultante do sistema montanhoso, Montejunto/Estrela.
Os Paleontólogos, estimam que o Planalto das Cesaredas terá começado há cerca de 160 milhões de anos, quando o mar começa  a  recuar  nesta  zona,  provavelmente,  quando  se  iniciou  a  formação  das  várias  espécies  fossilizadas,  onde   se destacam as Amonites (fósseis de espécies marinhas, que terão desaparecido há cerca de 65 milhões de anos, na mesma altura que desapareceram os dinossauros).
As amonites, faziam parte de uma espécie marinha, que ocupou o nicho ecológico das atuais lulas, animais com dimensões variáveis, desde alguns centímetros a 1 metro de diâmetro,  que viviam dentro de uma concha espiralada de natureza carbonatada, semelhante à dos atuais Náutilos. 
Para além das Amonites e outras espécies fossilizadas, o Planalto das Cesaredas, preserva também algumas ribeiras e um enorme reservatório de água subterrâneo, que brota no Olho Marinho, situação que motivou o aparecimento dos famosos "Olhos d'Água" do Olho Marinho. A força dos Olhos d'Água do Olho do Marinho, para além de estar na origem da formação do topónimo "Olho", proporciona ao visitante um agradável e repousante espetáculo, salvo quando ocorrem períodos de seca, como os que se registaram no século XIX, em 1890, no século XX, em 1945, 1994 e 1995 e mais recentemente em 2004, 2005 e 2006.
Ao  longo  do  Planalto  das  Cesaredas  existem  também  vários  algares  e  grutas,  que  guardaram  um  importante  espólio arqueológico, onde se destaca a Gruta Casa da Moura, cujos primeiros trabalhos de investigação feitos por Nery Delgado, ocorreram no século XIX, em 1866 e 1867.







Gruta "Casa da Moura" ou "Casa da Moira"

Esta gruta está situada no Planalto das Cesaredas, no lado poente, a cerca de mil metros da atual zona residencial do Olho Marinho,  foi  pela  primeira  vez  explorada  nos  meados  da  década  de  1860  por  Nery  Delgado,  um  dos  mais  famosos precursores da arqueologia em Portugal
A "Casa da Moura" foi mesmo uma das primeiras grutas a merecer a atenção dos cientistas, no  nosso país, tendo sido classificada no ano de 1866 como "gruta principal" do conjunto de grutas e algares existentes  no Planalto das Cesaredas.
Aqui foram encontrados e recolhidos diversos artefactos e valores arqueológicos muito importantes, entre os qua is um crânio humano, do chamado "Homem das Cesaredas" ou de Neandertal, um dos mais importantes vestígios do homem primitivo a nível europeu. 
De acordo com os diversos estudos realizados, a Gruta "Casa da Moura" terá sido aproveitada, ao longo dos tempos, como local de reunião, habitação, local de prática de cultos religiosos e, até, como necrópole.
O primeiro trabalho desenvolvido sobre esta Gruta foi feito por Nery Delgado, e ainda hoje, é considerado uma referência muito importante para os especialistas em arqueologia, cujos materiais recolhidos na "Casa da Moura" estão patentes nos principais museus de Lisboa, onde se podem ver peças pertencentes a várias épocas, que vão desde o Paleolítico até eras mais recentes.
Pouco tempo depois de Nery Delgado ter concluído os trabalhos de  prospeção, os achados arqueológicos da "Casa da Moura" suscitaram o interesse da comunidade científica da altura. Disso mesmo é exemplo uma notícia publicada em 1868, dois anos após a conclusão dos trabalhos de investigação, um estudo comparativo muito  bem desenvolvido sobre as diversas grutas e algares existentes nas Cesaredas, dando «pela sua importância e dimensão», maior destaque à Gruta Casa da Moura.
Os resultados do estudo foram entretanto divulgados junto da comunidade arqueológica nacional e internacional, através de uma publicação em bilíngue, português e francês, com o alto patrocínio da então Real Sociedade de Geografia de Lisboa. 
Apesar da antiguidade desta gruta ser anterior ao período que mediou a ocupação árabe de  Portugal, a sua designação popular  remete  para  os  tempos  da  ocupação  árabe.  Ainda  sobre  esta  gruta  existe  um  forte  imaginário  popular,  que permanece até aos nossos dias, reportando-se a lendas incríveis sobre túneis misteriosos que vão até Óbidos e duas ar cas amaldiçoadas, uma com Peste e a outra com um Tesouro que, naturalmente, nunca foram encontrados .
Embora a atividade de Nery Delgado tenha incidido, principalmente, sobre o estudo do Paleozoico, efetuou investigações sobre  as  formações  cenozoicas  e  antropozoicas,  desenvolvendo  também  trabalho  nos  domínios  da  paleontologia  e arqueologia, bem ainda como da geologia aplicada.







“Olhos d'Água" (Largo da Fonte)         

Os "Olhos d''Água" estão presentemente localizados no centro da povoação, cujas famosas nascentes se deve, ao que tudo indica, à origem do topónimo "Olho Marinho". Estas águas, que se crê possuírem propriedades minero -medicinais, brotam da rocha a uma temperatura constante de 21 graus centígrados. 
Apesar do seu uso remontar,  ao tempo da ocupação romana, as nascentes ganharam maior  projeção  quando ficaram associadas às visitas de Inês de Castro à região e de terem servido para as curas desta famosa senhora que foi coroada rainha, por D. Pedro I, depois de assassinada.
Certa é, porém, a relação direta  entre os "Olhos d''Água" e o crescimento da população em seu redor, dando mais tarde origem, aos lugares que hoje constituem a freguesia, bem como a sua prosperidade agrícola, económica e social, ao longo dos séculos.
O atual Largo da Fonte, como também é conhecido, é um espaço dotado de rara beleza natural e visto, em especial pelos olhomarinhenses, como a sua melhor sala de visitas. As nascentes são  desde há muito o verdadeiro  ex-libris deste povo, local onde implantaram, ao longo dos tempos, as suas melhore s peças  arquitetónicas  e onde se realizam, ainda hoje, as mais importantes festividades religiosas e profanas.
De acordo com a tradição, há cerca de 600 anos, o espaço onde hoje se localizam os "Olhos d''Água" foi divididos em dois.
O primeiro, o mais importante e mais respeitado pelo povo, é o chamado "Olho das Quartas". Foi, durante vários séculos, o  espaço  mais  emblemático  deste  conjunto  de  "Olhos  d''Água",  usado  pela  população,  de  forma  exclusiva,  para  o abastecimento de água potável.
O segundo conjunto de "Olhos d''Água" é conhecido por "Olho da Rainha" desde o século XIV como nos conta a tradição. Esta designação foi a melhor forma encontrada pelo povo do Olho Marinho para homenagear e evocar a passagem de D. Inês de Castro pelas nascentes quando usava aquelas águas, beneficiando das suas características minero-medicinais no tratamento dos seus males.
Pela disposição existente dos dois conjuntos de nascentes, tudo indica que o espaço terá sido dividido em dois, evitando desse modo a junção das águas ali nascidas.
A forma  espetacular  e repousante como brotam os "Olhos d''Água" e o enorme caudal dai resultante deram origem à formação do Rio Olho Marinho que, ao longo dos séculos, tem servido para irrigar os férteis campos desta zona (cerca de 300 hectares). 
Os Olhomarinhenses desde há muito que usam os conhecimentos de agricultura e hidráulica  transmitidos pelos monges de Cister através do sistema de regadio tradicional ainda hoje existente.
Infelizmente no decorrer do século XX e XXI para além de  terem aumentado os consumos de água, de forma por vezes desenfreada, as secas tem sido também uma constante, resultando daí um acentuado decréscimo dos níveis freáticos. Em anos normais de pluviosidade, os "Olhos d''Água" do Olho Marinho, continuam a encan tar os numerosos visitantes que por ali passam.





Testemunhos de Pedra

A presença e a influência árabes deixaram marcas profundas por toda esta região. No Olho Marinho ainda hoje são visíveis vários símbolos, que se presume serem de origem árabe, esculpidos especialmente nas cantarias das casas (meias-luas) e nos diversos cruzeiros existentes.
Outras formas de simbologia acontecem também relativamente às prováveis influências judaico-cristãs (eventualmente cristãos-novos, ou seja, os judeus que foram obrigados a converter-se ao cristianismo), representadas nas cantarias das portas e janelas sob a forma corações e estrelas de seis pontas conforme se vê na foto apresentada.



Capela de N. Sra. do Amparo


Situada na freguesia do Olho Marinho, no limite com o concelho de Peniche, existe uma pequena ermida dedicada a Nossa Senhora do Amparo. De arquitetura simples, a sua construção é muito antiga, datada do século XII ou XIII, mas de certeza anterior ao Foral concedido por D. Pedro I à povoação de Serra d''el Rei.
Os seus registos e demais documentos estão conservados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.





Coretos e Cruzeiros

Coreto do Olho Marinho
O coreto existente no Largo Joaquim Marta (junto aos "Olhos d'' Água"), foi edificado em 1920, graças à dinâmica de um grupo de entusiastas da música, pouco depois de ter sido formada a Banda Filarmónica do Olho Marinho, liderada por Manuel Rodrigues Tocha e Gregório Simão, tendo em vista a angariação de fundos destinados a levar por diante esta obra.
Na década de 1950, o coreto foi alvo de uma importante intervenção destinada a melhorar a cúpula que se apresentava muito danificada, sendo nessa altura substituída pela atual.

Cruzeiros do Olho Marinho
A povoação do Olho Marinho caracteriza-se pela existência de um significativo número de cruzeiros em pedra (6), de várias dimensões, todos eles com cerca de dois séculos. Símbolos da religiosidade das gentes locais, crê -se contudo que a sua proliferação se relacione também com certas superstições populares, na medida em que quase todos os cruzeiros do Olho Marinho se situam nas encruzilhadas dos caminhos.
O  cruzeiro  mais  antigo  data  de  1727  com  um  significativo  conjunto  de  motivos  religiosos  esculpidos  na  pedra.  Este cruzeiro em pedra está localizado na Rua Imaculado Coração de Maria. Entre os diversos motivos religiosos, merece uma vez mais destaque a estrela de seis pontas, vários corações, algumas letras alusivas a Cristo e a palavra "PASO". A cerca de cem metros de distância,  no sentido norte, no cimo de um afloramento rochoso junto a uma habitação, existe outro cruzeiro, que não está datado, com uma simbologia semelhante à que foi descrita anteriormente.
No Largo da Fonte existe um outro cruzeiro, de grandes dimensões, esculpido em 1870 por José Luís Canteiro, cujas faces, apresentam alguns motivos religiosos e uma dedicatória do autor, alusiva ao Imaculado Coração de Maria.  Na rua Professor Roque Duarte, no sentido da povoação Pó, situa-se um outro cruzeiro, datado de 1877, sem simbologia ou quaisquer motivos religiosos.
Existem ainda mais dois cruzeiros de pedra, sem data e sem quaisquer simbologias esculpidas, localizados na rua da Cruz e no cruzamento da rua Principal com a rua da Arieira.






Quinta do Furadouro ou Quinta de Baixo

A evolução e o crescimento da povoação Olho Marinho, confundem-se desde o século XII, com a história da Quinta do Furadouro.
A Quinta do Furadouro (ou Quinta de Baixo, como também é conhecida), de acordo com os documentos existentes, foi fundada no  final do século XI princípio do século XII, por um castelhano muito rico conhecido por o Grande D. João Manoel, pai de D. Constança Manuel, segunda mulher de D. Pedro, com quem casou em 1336, que diziam ser feia e desajeitada e que terá morrido de parto aquando do nascimento do seu terceiro filho.
Outros historiadores, no entanto, afirmam que a Quinta do Furadouro foi iniciada por D. Pedro e mais tarde, usada como um dos locais de encontros amorosos entre D. Inês de Castro e D. Pedro I. Depois da trágica morte de D. Inês de Castro, ocorrida em Coimbra em 1355, com consentimento do Rei D. Afonso IV, pai de D. Pedro I, a Quinta do Furadouro é doada a D. João d''Eça, filho de D. Inês e de D. Pedro I.
Segundo a tradição popular, D. Pedro I, por aqui terá permanecido durante longos períodos dedicando-os sobretudo à caça, nomeadamente às espécies de médio porte que abundavam por esta região, designadamente, gamos, javalis e raposas. 
Alguns cronistas referem também a existência de uma grande colónia de pavões, localizada numa grande propriedade existente entre as povoações Olho Marinho e a Serra D''El-Rei. Estas aves chegaram a ser protegidas por determinação régia!
A tradição popular também nos diz que D. Pedro e D. Inês de Castro, segunda prima e aia de D. Constança Manoel, usavam frequentemente as águas das nascentes do Olho Marinho para tratar males de pele. 
O livro "Memórias Históricas de Óbidos", escrito por um frade anónimo do Convento do Vale Benfeito, ao citar a Quinta do Furadouro diz o seguinte: «...Que pertenceu a «El Rei D. Pedro I e que este a doara a D. João d''Eça seu filho e de D. Inês de Castro, que possuía o título de Morgado de Cavaleiros [...]».
A mesma fonte indica que alguns descendentes de João d''Eça, filho de D. Pedro I, residiram durante  várias décadas na Quinta do Furadouro, tendo alguns sido sepultados na capela da Quinta e outros na Igreja da Misericórdia em Óbidos. Após a morte de D. Pedro e do seu filho, D. João de D''Eça , a Quinta do Furadouro é adquirida pelo Infante D. Henrique. Passados cerca de 15 anos, D. Leonor, mãe do futuro rei D. Afonso V, adquire a Quinta ao seu cunhado, o Infante D. Henrique. Entretanto, D. Afonso filho de D. Leonor aos 15 anos é aclamado Rei com o título de D. Afonso V. altura que atingi a maioridade.  Em  1449, o Rei D. Afonso V emite uma Carta Régia, onde descreve a localização da Quinta do Furadouro, os seus limites e as  infraestruturas  que a constituíam, anunciando através dessa carta régia, a doação dessas terras a Joan Vasques. Um século mais tarde, por volta de 1550, uma grave crise económica obriga os proprietários da Quinta, a vender uma parte da Quinta do Furadouro, situação que motiva o aparecimento de uma outra grande propriedade,  com o nome de Quinta do Ceilão.  A Quinta do Ceilão apesar de ter sido adquirida por um dos filhos do navegador Vasco da G ama, Estevão Ferreira da Gama, ficou na condição de foreira, pagando anualmente de fouro 1 moio de trigo (60 alqueire s) à Quinta do Furadouro. Para além da rainha D. Leonor, viúva de D. Afonso IV e mãe  de Afonso V, as férteis terras do Olho Marinho continuaram a ter proprietários ilustres, como o rei D. Afonso V, João Vaz (conselheiro privado de D. Fernando, o Infante Santo, cuja dedicação lhe valeu a doação da Quinta, os Condes de Cavaleiros, os Duques de Palmela 
e a Marquesa do Faial entre outros. Durante os tempos áureos, a Quinta do Furadouro era constituída por uma enorme mansão, com capela privada em honra de nossa Senhora do Livramento, (Imagem em madeira muito bem preservada do século XIV) local  onde descansam os restos mortais de várias gerações de proprietários que chegaram a se r ilustres pares do Reino.  O património da Quinta nesse  tempo  era  formado  por  extensas  terras,  hortas,  moinhos  e  azenhas,  vários  anexos  e  cedências.  Alguns  dos 
proprietários da Quinta apesar de pertencerem à baixa nobreza e das crises económicas que ocorreram, conseguiram manter durante aproximadamente três séculos, a posse duma parte substancial da Quinta na mesma família até aos finais do século XVII. No século XVIII surge mais uma grave crise económica, que culmina na venda da Quinta ao Conde de Cavaleiros, um fidalgo que ocupou importantes cargos no Brasil, onde fez fortuna, e de reconhecido mérito junto da Côrte.
Durante o período que mediou a administração do novo proprietário, D. Gregório de Eça e Meneses, Conde de Cavaleiros, consegue aumentar e embelezar de forma muito significativa a propriedade, vindo mais tarde a receber como herança a vizinha Quinta do Ceilão, também conhecida por Quinta de Cima.
Alguns anos mais tarde, surgem novas crises económicas e políticas que marcaram profundamente a segunda metade do século XIX, pelo que o Conde de Cavaleiros se vê forçado a vender a Quinta aos duques de Palmela, procurando deste modo fazer face aos problemas financeiros que o assolavam.
A partir desse momento, o Furadouro muda várias vezes de dono, com intervalos de poucos anos, até ser adquirida, em ano que se desconhece, pelo primeiro plebeu, José Paulo Rodrigues, um agricultor muito abastado das Caldas da Rainha.
Depois, no século XX, a propriedade muda novamente de proprietários e fica na posse da família Pinto Bastos, até à década de cinquenta, quando é adquirida pela multinacional Stora Enzo (Celbi), do ramo da celulose onde presentemente desenvolve atividades no sector da produção de eucaliptos, melhoramentos genéticos e outras formas de investigação no sector da silvicultura.


Ermida de Santa Iria

Edificada no cimo de uma pequena colina, a cerca de 50 metros dos "Olhos d''Água" do Olho Marinho, situava-se a Ermida de Santa Iria, segundo se julga o segundo espaço de culto mais antigo construído pelo povo do Olho Marinho, no decorrer do século XV. 
A escolha de Santa Iria para padroeira foi uma forma emblemática da religiosidade daquela população, uma vez que Santa Iria é a padroeira das nascentes, cujas festas em sua honra foram realizadas durante muitos anos no dia 20 de Outubro até ao  ano  de  1856  altura  em  que  foi  consagrada  a  nova  Igreja  matriz  do  Olho  Marinho,  cuja  padroeira  passou  a  ser  o Imaculado Coração de Maria.
A Ermida, erguida pelo povo, tinha dimensões reduzidas e era modesta em termos arquitetónicos. O seu interior não tinha motivos artísticos de relevo e, na fachada exterior, apenas se destacava uma pequena torre sineira, com um sino em bronze, datado de 1782, que hoje está na Igreja Matriz.
A Ermida de Santa Iria foi o principal local de culto da população do Olho Marinho até 1856, quando foi inaugurada a Igreja do Imaculado Coração de Maria. Passados alguns anos foi desativada e o culto à sua padroeira esquecido. Em 1910, com  a  implantação  da  República,  o  edifício  foi  nacionalizado  e  transformado  na  primeira  escola  primária  oficial  da povoação. Posteriormente uma parte desse espaço foi reservado à residência dos professores. Esta situação manteve -se até  1945, data em que regressa à posse da Igreja, funcionando depois, periodicamente, como residência paroquial até à década de 1970. Mais tarde funciona como zona de convívio sendo, a partir de 1974, após ter sido totalmente reconstruído, 
transformado na atual sede da União de Amigos do Olho Marinho.




Quinta do Ceilão ou Quinta de Cima


A Quinta do Ceilão (também conhecida por Quinta de Cima, por oposição à Quinta do Furadouro, ou de Baixo) foi extinta nos primeiros anos do século XIX, culminando assim, uma história de grande prestígio.
De acordo com a informação disponível, a Quinta do Ceilão terá sido fundada nos primeiros anos do século XVI, durante o reinado de D. Manuel I. Segundo o livro "Memórias de Óbidos", o fundador da Quinta do Ceilão terá sido o p ai de D. Estêvão Ferreira da Gama, membro da fidalguia portuguesa, Par do Reino, Governador da Ilha do Ceilão, um dos filhos de Vasco da Gama, que viria a dar o nome á propriedade.
Estêvão Ferreira da Gama e a esposa, D. Brites d''Eça, passavam longas temporadas na Quinta do Ceilão, usufruindo de uma mansão muito bem dimensionada, com um tanque de água corrente, um jardim muito bem cuidado e uma capela em honra de Nossa Senhora da Penha de França.
A  dimensão  e  beleza  dos  jardins  desta  Quinta  alcançaram  tal  fama,  que  ainda  hoje  toda  aquela  área  continua  a  ser localmente conhecida por "os Jardins".
Ainda  segundo  o  livro  "Memórias  Históricas  e  Diferentes  Apontamentos  acerca  das  Antiguidades  de  Óbidos"  (ed. Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1985), um manuscrito  oitocentista, diz que a Quinta do Ceilão "...possuía vinhas, olivais, pomares e azenhas, e que o vinho e os frutos de espinho e caroço produzidos na quinta, eram exportados pelo seu proprietário, para a Ilha do Ceilão...". 
D. Estêvão Ferreira da Gama foi conselheiro da família real, e por isso frequentava o círculo pessoal do Cardeal-Rei D. Henrique, opondo-se em determinada altura às forças de El Rei D. Filipe II de Castela, aquando da crise e ocupação do território nacional. Esta oposição ao rei de Castela, valeu a D. Estêvão Ferreira da Gama a sua sentença de morte e a confiscação de todos os seus bens, no ano de 1580, tendo D. Filipe I de Portugal e segundo de Castela, aquando duma visita ao forte de Peniche, doado a Quinta do Ceilão ao Físico-Mor da Corte espanhola e aos seus herdeiros.
Após a célebre revolução de 1640, depois da aclamação de D. João IV como rei de Portugal, a propriedade volta para posse de portugueses, ao ser adquirida em Madrid por Jorge Nunes Serrão. A posse desta propriedade manteve -se nesta família até 1785, quando é adquirida pelo Conde de Cavaleiros, D. Rodrigo José de Meneses, proprietário da Quinta do Furadouro.






Igreja em Honra do Imaculado Coração de Maria

O crescimento demográfico e o dinamismo económico que se fez sentir no Olho Marinho durante o século XIX foram, sem dúvida, juntamente com o dinamismo do Padre Silveira Malhão, poeta, escritor e um dos oradores sagrados com mais prestígio na região, as forças que ajudaram a dinamizar e a levar por diante a construção do novo   templo destinado ao culto cristão, dada a manifesta insuficiência em termos de espaço e simplicidade da Ermida de Santa Iria. O processo de edificação da nova igreja teve início em 1845. Esta obra, uma das mais importantes realizadas no Olho Marinho até à data, mobilizou de forma incondicional os católicos e a população em geral, ao longo dos 10 anos que mediaram a sua construção.
A nova igreja matriz foi inaugurada em Agosto de 1856 e consagrada ao Imaculado Coração de Maria, a segunda igreja, até à presente data, a ser dedicada a este dogma católico no nosso País. 
Os primeiros apoios para a construção do templo surgiram do povo do Olho Marinho. Mas como a obra era ambiciosa e cara, foi constituída, em Lisboa, uma comissão de honra, cujo principal obj etivo era dinamizar campanhas destinadas à obtenção de fundos, envolvendo os jornais da época, "O Domingo" e "A Nação", verba que ultrapassou os 1.200$00 réis. De  acordo  com  os  documentos  de  então,  a  nova  igreja  foi  concebida  e  dimensionada  tendo  em  vista  o  número  de habitantes existentes e o seu aumento futuro, bem como a população residente nos lugares vizinhos, tendo como principal objetivo, criar um espaço de culto maior e com mais dignidade.
A Igreja do Imaculado Coração de Maria, apesar de estarmos  no século XXI e dos diversos trabalhos de manutenção e recuperação efetuados, em especial na década 1960, após  o sismo de forte intensidade que então ocorreu, mantém e preserva o traçado arquitetónico original, assim como a maior parte do seu interior, onde se destaca o altar-mor em talha dourada de estilo barroco, que continua muito bem conservado, e o retábulo que ostenta uma bonita tela pintada a óleo em 1863, assinada por A. Fonseca. Junto ao altar-mor ainda se mantém um rodapé nas paredes laterais revestido a azulejos 
do século XVIII. 
A Igreja Matriz ficou assim enquadrada num espaço onde existe uma grande praça, muito bem preservada, atualmente pavimentada com calçada portuguesa a poucos metros dos famosos "Olhos d''Água" do Olho Marinho, o ex -líbris  dos Olhomarinhenses