Abitureiras

e-Balcão

Canais

PATRIMONIO

A Freguesia de Abitureiras encontra-se situada na margem direita do Rio Tejo, ao norte de santarém.
Uma paisagem muito característica, marcada por uma zona de declives pronunciados a norte e menos ao sul da freguesia.  No fundo, um pouco divergente do que se pode ver, em alguns aspectos, no resto do concelho.
O topónimo desta povoação, Abitureiras, conheceu até hoje diferentes versões.
Alguns autores dizem que deriva da palavra abruteira – a freguesia teria sido assim terra de abutres  - outros apontam duas senhoras fiandeiras, que por mandarem construir a actual Igreja Paroquial, foram denominadas pelo povo de aventureiras. Por corrupção, Abitureiras. Uma série de opiniões que carecem de cunho cientifico, pois não passam das usuais lendas que sempre surgem associadas à historia das nossas povoações.
Apesar destas lendas ( as costumadas invasões mouriscas e os “ potes de oiro” por eles trazidos e ou levados ), data de meados do sec. XIV (1357) o primeiro documento conhecido relativo a Abitureiras.
È uma carta de doação “ do moinho e Casal das Aujutureiras Y termo de Santarém, João Garcia que foi açoreiro de A. Afonso IV”.
Momento importante da historia da freguesia foi descrito por um autor anónimo do seculo XIV e transcrito por Jaime Cortesão em “ Crónica do Condestável do Portugal “ . “ Que um Clérigo de nome Vasco Anes do Couto estando Nuno Álvares  a pelejar contra os castelhanos para os lados de Alcantara e tendo caído e ficado de baixo do cavalo, êle o ajudou a soltar-se, como recompensa, o fez beneficiar Cónego da Sé de Lisboa, Governador da Igreja de Mafra e prior de Abitureiras”.
Esta freguesia, da invocação de Nossa Senhora da Conceição, pertenceu sempre ao concelho de Santarém. Apenas um curto período de tempo, que começou em 1836, transitou para Rio Maior, no qual estaria alguns anos. Em 1922, o seu lugar de Moçarria desligou-se da sede e formou freguesia própria.
Da Igreja Paroquial, dizem as “estórias” da história que duas pobres fiandeiras se aventuraram a erguê-la. Aventuramo-nos, por nossa vez, a relembrar as lendas em que esta ciência do passado é profícua.
Construída no século XIV, foi restaurada no século XVIII. De dimensões consideráveis, realça-se pela galilé de três arcos de frente e dois laterais, no exterior. É templo de uma só nave, coberto de tecto de tumba. A capela-mor cobre-se de uma abóboda. Dos altares, merece uma referência o lateral, do lado da epístola, de boa talha oitocentista. Sobre o arco triunfal, uma imagem belíssima – escultura de pedra quinhentista representando a chamada Nossa Senhora dos Chãos.
 Mesmo sendo “estória” aquela que se refere à fundação da igreja demonstra a alma mais profunda de um povo: “ Nestas terras, habita um povo que em tempos se dedicou quase exclusivamente aos trabalhos agrícolas. (…) O orgulho, a vaidade, a coragem, a honestidade, o capricho, a honra, são alguns dos princípio que o homem de Abitureiras não desprezava. Na mulher, a submissão, a lealdade, a disposição para o trabalho e a beleza, eram alguns dos valores apreciados pelos homens”.